{"tema_id":"10","string":"ANALFABETISMO","created":"2011-03-22 15:07:58","code":null,"modified":"2015-02-09 10:18:38","notes":[{"@type":"nota de alcance","@lang":"pt","@value":"Defini\u00e7\u00e3o 1: Estado ou condi\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos, comunidades ou sociedades de desconhecimento do sistema de escrita alfab\u00e9tica, ou de n\u00e3o saber ler e escrever um texto simples na l\u00edngua que falam ou na l\u00edngua que \u00e9 falada na comunidade\/sociedade.\n\nDefini\u00e7\u00e3o 2: Falta de instru\u00e7\u00e3o elementar em um pa\u00eds, referida especialmente ao n\u00famero de seus habitantes que n\u00e3o sabem ler nem escrever."},{"@type":"nota hist\u00f3rica","@lang":"pt","@value":"O termo analfabeto remonta, pelo menos, ao s\u00e9culo VI d.C., aplicado ao imperador Justino, do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente, e utilizado, j\u00e1 ent\u00e3o, com a conota\u00e7\u00e3o pejorativa de pessoa muito ignorante. No entanto, at\u00e9 muito recentemente, essa avalia\u00e7\u00e3o negativa era dirigida apenas a aspirantes ou titulares de determinados cargos ou fun\u00e7\u00f5es que requeriam dom\u00ednio da leitura e da escrita. S\u00f3 a partir do s\u00e9culo XVIII come\u00e7ou-se a cobrar do povo tal dom\u00ednio, fato este que acarretou mudan\u00e7a profunda tanto no conceito de analfabetismo como na extens\u00e3o de sua aplica\u00e7\u00e3o.\n\nNo Brasil, at\u00e9 o final dos anos 1870, saber ler e escrever nunca fora condi\u00e7\u00e3o para votar. Bastava a comprova\u00e7\u00e3o da renda exigida pela Constitui\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio. Quando, por\u00e9m, ocorreu a reforma eleitoral para introdu\u00e7\u00e3o do voto direto (Lei Saraiva, 1881), o Partido Liberal, ent\u00e3o no poder, acabou por excluir do voto os analfabetos, sob o argumento de que o analfabetismo representava ignor\u00e2ncia, cegueira, pauperismo, falta de intelig\u00eancia e de discernimento intelectual, incapacidade pol\u00edtica e at\u00e9 marginalidade e periculosidade. A condi\u00e7\u00e3o de analfabetismo transformou-se, assim, repentinamente, num estigma: numa marca negativa e excludente.\n\nEm 1968, no ex\u00edlio, Paulo Freire denunciou uma s\u00e9rie de concep\u00e7\u00f5es distorcidas, que concebiam o analfabetismo como erva daninha a ser erradicada; doen\u00e7a contagiosa ou chaga deprimente a ser curada; vergonha; manifesta\u00e7\u00e3o de incapacidade, de pouca intelig\u00eancia, de proverbial pregui\u00e7a etc. Ao contr\u00e1rio de tudo isso, para Freire o analfabetismo \u00e9 uma das m\u00faltiplas express\u00f5es concretas de uma realidade social injusta: uma forma de injusti\u00e7a social. Nessa concep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, alfabetizar n\u00e3o poder\u00e1 reduzir-se ao ensino da t\u00e9cnica de ler e escrever, nem \u00e0 memoriza\u00e7\u00e3o de s\u00edlabas, palavras e frases; dever\u00e1 ser processo de reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre o pr\u00f3prio processo de ler e escrever e sobre o significado da linguagem, pondo ao alcance dos alfabetizandos um poderoso instrumento de liberta\u00e7\u00e3o dessa injusti\u00e7a social chamada analfabetismo. Tratou-se aqui do analfabetismo absoluto, mas h\u00e1 outras formas de analfabetismo, como o funcional, o matem\u00e1tico, o digital."},{"@type":"nota bibliogr\u00e1fica","@lang":"pt","@value":"Defini\u00e7\u00e3o 1 elaborada pela Rede de Especialistas do Inep com base nas seguintes refer\u00eancias:\n\nATLAS NACIONAL DO BRASIL MILTON SANTOS. Perfil Educacional. In: IBGE. Censo Demogr\u00e1fico de 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2000.\n\nFERRARO, Alceu Ravanello. Analfabetismo. In. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Gloss\u00e1rio CEALE: Termos de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Leitura e Escrita para educadores. Dispon\u00edvel em: <http:\/\/ceale.fae.ufmg.br\/app\/webroot\/glossarioceale\/verbetes\/analfabetismo>. Acesso em: 29 jul. 2015.\n\nSOUZA, Marcelo Medeiros Coelho de. O analfabetismo no Brasil sob o enfoque demogr\u00e1fico. Cadernos de Pesquisa, S\u00e3o Paulo, n. 107, jul.1999. Dispon\u00edvel em: <http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/cp\/n107\/n107a07.pdf>. Acesso em: 29 jul. 2015.\n\nUNESCO. World illiteracy at mid-century: a statistical study. Monographs on fundamental education XI, 1957. Dispon\u00edvel em: <http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0000\/000029\/002930eo.pdf>. Acesso em: 29 jul. 2015.\n\nRefer\u00eancia da Nota Hist\u00f3rica: FERRARO, Alceu Ravanello. Analfabetismo. In. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. Gloss\u00e1rio CEALE: Termos de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Leitura e Escrita para educadores. Dispon\u00edvel em: <http:\/\/ceale.fae.ufmg.br\/app\/webroot\/glossarioceale\/verbetes\/analfabetismo>. Acesso em: 29 jul. 2015.\n\nDefini\u00e7\u00e3o 2: Termo normalizado para o GGP Indicadores."}]}